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segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Aproveitando o passeio!


Outro dia me deparei com uma professora fazendo um passeio com as crianças no meio da tarde. Fiquei observando e vi que algumas mães que também passavam na hora questionaram o fato da professora ao invés de estar dentro da sala de aula estava na rua “passeando” como diziam.
Foi aí que notei que a professora enquanto caminhava com seus alunos ia fazendo perguntas sobre as placas que encontravam, como os nomes das ruas, nomes dos comércios, quantas quadras havia até tal referência, etc.
Apesar de terem sido as crianças a fazerem  o tal “passeio”, acredito ser exatamente essa a maneira de se trabalhar com os alunos da modalidade de EJA já são jovens e adultos que necessitam ter um sentido mais real de sua aprendizagem.

A Reportagem


Alguns dias atrás assistindo uma reportagem sobre alfabetização de jovens e adultos chamou-me a atenção o método trabalhado por uma professora de Santa Catarina, que teve como pedido de uma aluna para que a ajudasse a ler uma carta que acabara de receber. Partindo dessa ideia a professora resolveu trabalhar com cartas dentro da sala de aula.
A professora iniciou escrevendo no quadro uma carta com todos os dados corretos de uma correspondência, data, local, ano, enfim, tudo conforme manda a didática. Após concluir a tarefa, a professora perguntou aos alunos se os mesmos conheciam alguma palavra que estava escrita no quadro assim como outras perguntas do tipo:  qual a data, quem estava escrevendo, entre outras. E assim deu continuidade ao trabalho explorando esse gênero de texto até que cada aluno conseguiu escrever a própria carta.
Esse ensinamento trouxe a sensação de realização para seus alunos pois estavam aprendendo alguma coisa que realmente tinha sentido em suas vidas, algo realmente de valor, pois através das cartas aprenderam que o mesmo poderia ser escrito na forma de mensagens e assim passariam a ter mais contato com a tecnologia tão exigida atualmente.
Acredito que assim como essa professora, nós como educadores, também devemos buscar métodos diferenciados para atrair os alunos, e nada melhor do que algo relacionado às suas vivências!

Realidade na Sala de aula!


Numa visita dentro de uma sala de aula de EJA, a primeira coisa que pude notar foi que a mesma é infantilizada pelo fato da sala de aula normalmente ser a mesma que de uma sala de aula de alfabetização infantil, com cartazes baseados em cartilhas de “ba bá”. No entanto encontram-se jovens e adultos que muitas vezes acabam por desistir de continuar seus estudos por se sentirem tratados como crianças.
Esse público normalmente já é tratado com menosprezo pelo simples fato de não terem estudado na idade “apropriada”, portanto já se sentem diminuídos perante a sociedade e ainda quando vão em busca do tempo perdido encontram um ambiente não propício a sua realidade de vida.
Fora o próprio ambiente ao seu redor ser assim, ainda o professor acaba por passar conteúdos também infantilizados, o qual para os alunos de EJA acaba por não despertar interesse, pois o que eles querem na verdade é recuperar o que deixaram para trás e é nesse sentido que o professor deve ter a didática de reconhecer isso e passar o que realmente importa para eles. Na verdade a maioria mesmo sendo analfabetos, possuem conhecimento das letras na vida real, diferentemente da criança. Os alunos dessa modalidade já possuem uma vida de trabalho, entre outros exemplos, onde se utilizam de um mundo onde as letras e números são obrigatórios.
 Portanto ao analisar o contexto geral da sala de aula da EJA foi apreendido que em todas as épocas da vida é possível sim aprender e desenvolver conhecimentos mas deve-se ter a consciência de que para cada tipo de aluno o professor deve estabelecer tipos diferentes de aulas.
As finalidades e funções específicas da modalidade de ensino destinada aos jovens e adultos “indicam que em todas as idades e em todas as épocas da vida, é possível se formar, se desenvolver e constituir conhecimentos, habilidades, competências e valores que transcendam os espaços formais da escolaridade e conduzam à realização de si e ao reconhecimento do outro como sujeito” (BRASIL, 2000, p.11). A partir dessa concepção de educação na modalidade EJA, abre-se um novo campo de discussões e reflexões sobre as concepções pedagógicas vigentes na educação brasileira e na formação dos docentes que atuam/atuarão nessa área.